86 – O show pirotécnico
Malabarismos jurídicos, um show
pirotécnico de efeitos inebriantes:
O hipócrita disfarçado de tolo, e
um tolo um tanto esperto
Burlando a justiça com a lei,
teatro do mundo, a arquibancada vai ao delírio
Show venerado por propagandas,
fala na lata mas não fala mais que a boca
Fala direto mas não fala pelos
cotovelos, políticas e conceitos
O excesso causa o enrosco,
fanfarrões parlamentários Falácias atraentes
Uma hipnose sem precedentes a
hipocrisia sem escrúpulos: o seu próprio contra senso
E aí? Quem esta certo na terra do
nunca? Tolos seguem tolos, falsários enganam falsários
O produto aqui é original de
fábrica, e o artesanato aqui é produto das estrelas
Explodem Corrompem Usam Idolatram
Com língua fiada e tenor no encanto
Um show prometedor de um
movimento sinuoso e deslizante, sou logo sou
Não se faça de tolo quando a vida
te pede audácia e precisão, seja o que você é
Matracas calam diante do
silêncio, palavras surgem diante da música, a tonalidade é essa
87 Maculelê na mandinga
Dança cheia de ritmo e energia, um ritmo
que contagia
Passo a passo do lembrar do futuro e
prever o passado
Antecipando-se ao movimento adverso
manipulando as cartas
Aqui joga-se não só com os olhos mas também
com a propensão da intenção
Onde o facão risca sai a faísca que marca um
terreno
Onde fecha o circulo marca o início de uma
era ancestral vital
Onde marca a palavra ecoa por sendas de uma
mente pagã
Vê-se na história da tua vida as falhas
concertadas e as brechas embrenhadas
Onde finge que vai e não vai, quando vai vê o
pulo do gato
Mais sete cartas, mais sete vidas, mas uma
delas já basta pra ver que facão com facão é atração
Introduza-se na dança e pise mais contundente
no momento certo saiba escutar-se
Os elementos da receita e dos elementos da
receita o momento ápice
Uma malandragem consumada de dizer o certo
sabendo que o errado era o certo
E fazendo o errado para saber que o certo era
o errado, o branco no preto
Mais ritmo, mais música, mais dança num
êxtase de frenesí
Um cálculo onde quem dá a resultante é a alma
que se consome na perfeição
Fala o sentido animal uma conjuntura aprasiva
de um rito antigo
Eu sou a zica de mulambos antigos onde a
maior mandinga é o blefe
E o maior blefe é escapar da mandinga por uma
redefinição de valores
Prática subversiva de escravos libertos onde
são escravos os libertos
Já dá pra se destacar confirmando um Maculelê
desvendado do mestre Juremeiro
E agora que faremos diante de tal virtude?
Quê diremos diante de tal liberdade?
Ao redor de um fogo bruxuleante as cartas são
em parte mostradas,
Diante do shaman rugem tambores e urram
animais, águias voam na distância
Pretencioso e prevenido O Juremeiro se
levanta e baixam-se mais cartas, a natureza manda
Os verdadeiros sabem qual é o preço da
omissão, assim fala o atabaque, assim sente o lutador
Premente e proeminente são os momentos que se
antecipam em causa e motivo, no tempo e na percepção
Esta é a verdadeira conjunção, esteja a par
através do impar e informado através do silêncio
O manifesto fala por si só é a festa que não
é festa, o sorriso maroto que guarda em si força descomunal
Onde trovões falam mentes compreendem, onde o
clamor faísca não se faz isca pra malandro
Prometa aquilo que esteja ao teu alcance,
provoque aquilo que não está
Lobos uivam à noite onde na roda de capoeira
já se vê por onde se interpreta o que não se pode ver
Uma trinca que te fez trincar ferro com
ferro, um brinco que te fez insight no ônix do sangue
Rituais antigos que te fazem lembrar quem
você realmente é, esta é a linguagem este é o processo
Um misto de audácia repercussão conotação
intenção obra de atrações e confirmação
O já previsto, o já manifestado! E então pisa
dentro deste circulo e faz parte do vigor
Finge que vai e não vai, finge que faz e não
faz, fala sem dizer e diz sem falar: sempre dizendo e falando
O negócio é esse, com brechas não ao acaso e
com momentos não casuais
88 –
Se embrenhando na mata
Os ancestrais se levantam
"samplando" almas concentrando o foco
Animais vociferam em silêncio demarcando seus
domínios
E o maior deles é sua própria mente, eu
domínio é você
Bruxos bruxuleiam energias incautas,
obstinação e o objeto
Vozes soam sussurando sensações
enquanto gritos ecoam na mente
Uma ladainha de molejo e intenção, um
movimento se denota
Por meio da mata fechada, mas não da fachada,
o que não se vê é sempre o mais importante
Através da noite na roda, através do passo
parado e da observação que se movimenta
Cruzam-se as mãos como ganchos, marcam-se
passos em locais não previstos
Os opressores tentam denegrir sua imagem e desprezar seu nome
Através
de passos ardilosos detestam tua audácia e atacam tua reputação
Seja tolo o sulficiente para confundir
cautela com medo
Ou
corajoso o sulficiente para ser cauteloso
Pontos inequívocos da observação na mata,
onde
bicho que estrala e a revelação
Onde aquele que coacha nem sempre é sapo
E aquele que relincha nem sempre é cavalo
O que urra nem sempre é anta
Mas aquele que rosna é sempre bicho
Olho de
butuca na mata embrenhada
Indaga a
itriga e abre a matraca
Não abre
brecha pra atravancar picuinha
Ataca o
partido opositor espezinhando como draga
No alerta
pra vigiar alavancar e avançar
Sentido
aguçado e faro fino leitura dinâmica
Premonição
em tempo real precaução na síntese da prática
Propensão à
resiliência barganhando com juros e prestação
Os opressores
tentam denegrir sua imagem e desprezar
seu nome
Através
de passos ardilosos detestam tua audácia e atacam tua reputação
Na mata embrenhada na manha do gato na brecha
do mato
O sarcasmo que ridiculariza a si mesmo! A
tragicomédia do arlequim
A ironia de um sátiro na palavra de um sábio
A jocosidade de um conto na ação de um mestre
Ponto de propensão marcação à risca
Destravar e atrapar compilar e brilhar com
apenas um movimento
Bramir e indagar ver notar e marcar sem
desdenhar da possibilidade
Agir conter manter prever permitir prevenir e
ultrapassar
Na veia o sangue corre quente em fervor da
comina obstinação brilho
O propósito da obra o caso não é acaso marcas
indeléveis fatos e feitos
Ogivas marcas vá em frente soturno e
vigilante faça por ser
Pra fofoca indistinguível não passa trela pra
marmelada
Pra dar mais liga na equação antecipe
destrinche e esmiúce
Se te der a “deixa” me dá o “time”, se der o
“time” me dá a deixa
Entrando na roda se desvencilhando pelo
sinistro no molejo
Certa feição certa face certo apreço
distinção única do zigue para o zague
Certa palavra certa imagem girando forte numa
ginga de palavras
Atenção ao swing: o jogo de cintura aqui é
feito nos olhos diretamente
Nada fica sem resposta e toda resposta dada
representa uma nova pergunta
A mata é espessa sem trambique sem lorota sem
balela na roda do mato
No entanto fica atento que o lelê ta na
resguarda atento à emboscada
Sai na negativa e some na sombra, gatuno da
prestidigitação na jogada
Eficiência e eficácia em ações bem estudadas
e atos instintivos
Os
opressores tentam denegrir sua imagem e
desprezar seu nome
Através
de passos ardilosos detestam tua audácia e atacam tua reputação
Instinto puro em contrapartida da folha que
cai é de bicho, no jambo e na jaboticaba
Urrando grunhindo e chiando no meio da mata
você vê com os ouvidos e escuta com o instinto
Bisbilhoteiro se junta com futriqueiro e
Invejoso vira traidor não é nessa que eu caio
Pra saber gingar têm que melhor observar, de
olho no que é meu: a selva
Encrava na intriga indaga na liga migra pra
ala e abre a porta que destrava
Abre na bilha brecha no breu agarra o que é
teu e puxa um ás de copas vip
Implica intriga antiga briga no breu da brasa
planta rasteira do véu da noite
Timbre acento e sotaque, ao vento abre ao
fogo de um engate disfarce aplaude
Teu embuste no pé do embueiro traça na raça
do giz e vai mas não vai
Azedo e ardido mordido e diletante da arte
mais requintada zelo e compacto
Para ir e vir pegar e agregar nem sempre
soletrar mas comer e se refastelar
Estrelas brilham, pé na areia das ondas que
vão no ritmo da liberdade de ser você
Selar então uma nova carta, fazer então uma
nova música de bravos ancestrais
Abre a trinca e brinca que a treta ta feita
risca rabisca varre assoa uma finca
Onde o tesouro esta é de abelha que se faz um
mel num ferrão se vê então
Onde o tesouro responde fala por si numa
légua de um manga larga na montaria
Onde o tesouro está até lá vai você chegar
basta para isto a si se enfrentar
Onde o tesouro é a resposta pra alguém que
algum conluio ou intriga catalizar
Onde o tesouro é dos ditames o mais pródigo
pra egoísmo e inveja desfazer
Onde o tesouro é na mata saber andar
desvencilhar onde porque e quando pisar
89
Jamming
Coruja criada crivo da razão canela e coração
ação convicta risada raspada
Observou cratera na mão reflexos da farça
trama depressa praça drama e testa
Pretexto nos olhos desejos no olhar gostos de
sonhos na risada com espada
Um flerte num dejavu o reflexo suor insight
com seu brinco aí brincamos e brindamos
Pode ser que seja na certeza absoluta de
saber reconhecer, talvez eu possa te dizer
Desejos plorifera a fera num sangue suado do
pé que pisa na mente atravessa seu mangue
Barco balanço que onda que foi sem saber, pra
saber. Mais um drinque mais um brinde
Presente de sorte escapar observar sorver
algo que com você pode conter ou inverter
Trejeitos faceiros façanhas os trajetos
vitrais de sonhos razão na intenção canela e devoção
Proste teu sonho idealize tua alma prove teu
feito realize tua ideia faça com gosto
Gostar das cerejas faixas vermelhas de um
dourado do fogo te mostra a si à você mesmo
Para um mundo de deixas surpresas e contos
encantos o que concatena a perfeição
Aplaudido em público resvalado pela obra
emaranhado pela vontade caldo grosso e saboroso
Bora na bola que pródiga questão de um avante
contigo no montante de gringo a fonte
Na panela requenta raiz semeia a erva
semblante se não têm panelinha põe no caldeirão
Foje na sombra não escorre no molho mas molha
a boca de desejo incorre no feitiço
Discorre não corre penetra no intrigante
interno brilhante o vermelho por dentro vai
Vê então que os olhos da coruja são como
música ou poesia antiga e recíproca
Priorize pratique antecipe predite o caminho
é traçado na medida em que soam os arcanos
O jamming aqui é um tanto consorte da busca e
da brecha, um tanto viciante um tanto intrigante
90
Domando o cavalo
Sem presepadas no trajeto ao encontro do
cavalo
Onde instinto arraigado de um feroz
descontrolado te encontra
Algo arcaico e tão rústico quanto a essência
da tua alma
Percebe então uma essência uníssona de uma
verdade tácita
A parte que te cabe olha nos olhos e veja com
a alma
Sinta com o espírito e soe a música que vai
de encontro ao cavalo
Seu instinto insiste em desgarrar, espírito
de liberdade pois domar não é dominar
Os préstimos não são sinais triviais senão
entraves que as almas entoam
Destrave uma velocidade impressa à um ritmo
de nove para seis
Conjunto elementar de energias comportamento
hostil algo já previsto
Entoe com a mente o que a percepção duplica
na proporção de min para você
Cavalgue mais então na senda de um mundo
distópico para um mundo livre
Sinta seu próprio poder cascos fortes
destrave ainda mais e sinta perceba
Atingimos o ponto auge compreendemos os
“motivos” assim muda-se a direção
O código é comreendido e o animal entra em
sinergia
Neste momento o feitiço é lançado e o domador
sente seu êxtase
Lembre-se então: o cavalo é a sua vida e o
domador é você!
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