Wednesday, May 15, 2024

de 86 à 90

 

86 – O show pirotécnico

 

Malabarismos jurídicos, um show pirotécnico de efeitos inebriantes:

O hipócrita disfarçado de tolo, e um tolo um tanto esperto

Burlando a justiça com a lei, teatro do mundo, a arquibancada vai ao delírio

Show venerado por propagandas, fala na lata mas não fala mais que a boca

Fala direto mas não fala pelos cotovelos, políticas e conceitos

O excesso causa o enrosco, fanfarrões parlamentários Falácias atraentes

Uma hipnose sem precedentes a hipocrisia sem escrúpulos: o seu próprio contra senso

E aí? Quem esta certo na terra do nunca? Tolos seguem tolos, falsários enganam falsários

O produto aqui é original de fábrica, e o artesanato aqui é produto das estrelas

Explodem Corrompem Usam Idolatram Com língua fiada e tenor no encanto

Um show prometedor de um movimento sinuoso e deslizante, sou logo sou

Não se faça de tolo quando a vida te pede audácia e precisão, seja o que você é

Matracas calam diante do silêncio, palavras surgem diante da música, a tonalidade é essa

 

 

 

87 Maculelê na mandinga

 

 Dança cheia de ritmo e energia, um ritmo que contagia

 Passo a passo do lembrar do futuro e prever o passado

Antecipando-se ao movimento adverso manipulando as cartas

Aqui joga-se não só com os olhos mas também com a propensão da intenção

Onde o facão risca sai a faísca que marca um terreno

Onde fecha o circulo marca o início de uma era ancestral vital

Onde marca a palavra ecoa por sendas de uma mente pagã

Vê-se na história da tua vida as falhas concertadas e as brechas embrenhadas

Onde finge que vai e não vai, quando vai vê o pulo do gato

Mais sete cartas, mais sete vidas, mas uma delas já basta pra ver que facão com facão é atração

Introduza-se na dança e pise mais contundente no momento certo saiba escutar-se

Os elementos da receita e dos elementos da receita o momento ápice

Uma malandragem consumada de dizer o certo sabendo que o errado era o certo

E fazendo o errado para saber que o certo era o errado, o branco no preto

Mais ritmo, mais música, mais dança num êxtase de frenesí

Um cálculo onde quem dá a resultante é a alma que se consome na perfeição

Fala o sentido animal uma conjuntura aprasiva de um rito antigo

Eu sou a zica de mulambos antigos onde a maior mandinga é o blefe

E o maior blefe é escapar da mandinga por uma redefinição de valores

Prática subversiva de escravos libertos onde são escravos os libertos

Já dá pra se destacar confirmando um Maculelê desvendado do mestre Juremeiro

E agora que faremos diante de tal virtude? Quê diremos diante de tal liberdade?

Ao redor de um fogo bruxuleante as cartas são em parte mostradas,

Diante do shaman rugem tambores e urram animais, águias voam na distância

Pretencioso e prevenido O Juremeiro se levanta e baixam-se mais cartas, a natureza manda

Os verdadeiros sabem qual é o preço da omissão, assim fala o atabaque, assim sente o lutador

Premente e proeminente são os momentos que se antecipam em causa e motivo, no tempo e na percepção

Esta é a verdadeira conjunção, esteja a par através do impar e informado através do silêncio

O manifesto fala por si só é a festa que não é festa, o sorriso maroto que guarda em si força descomunal

Onde trovões falam mentes compreendem, onde o clamor faísca não se faz isca pra malandro

Prometa aquilo que esteja ao teu alcance, provoque aquilo que não está

Lobos uivam à noite onde na roda de capoeira já se vê por onde se interpreta o que não se pode ver

 Uma trinca que te fez trincar ferro com ferro, um brinco que te fez insight no ônix do sangue

Rituais antigos que te fazem lembrar quem você realmente é, esta é a linguagem este é o processo

Um misto de audácia repercussão conotação intenção obra de atrações e confirmação

O já previsto, o já manifestado! E então pisa dentro deste circulo e faz parte do vigor

Finge que vai e não vai, finge que faz e não faz, fala sem dizer e diz sem falar: sempre dizendo e falando

O negócio é esse, com brechas não ao acaso e com momentos não casuais

 

 

 

 

88 – Se embrenhando na mata

 

Os ancestrais se levantam "samplando" almas concentrando o foco

Animais vociferam em silêncio demarcando seus domínios

E o maior deles é sua própria mente, eu domínio é você

Bruxos bruxuleiam energias incautas,  obstinação e o objeto

 Vozes soam sussurando sensações enquanto  gritos ecoam na mente

Uma ladainha de molejo e intenção, um movimento se denota

Por meio da mata fechada, mas não da fachada, o que não se vê é sempre o mais importante

Através da noite na roda, através do passo parado e da observação que se movimenta

Cruzam-se as mãos como ganchos, marcam-se passos em locais não previstos

 Os opressores tentam  denegrir sua imagem e desprezar seu nome

Através de passos ardilosos detestam tua audácia e atacam tua reputação

Seja tolo o sulficiente para confundir cautela com medo

 Ou corajoso o sulficiente para ser cauteloso

Pontos inequívocos da observação na mata,

 onde bicho que estrala e a revelação

Onde aquele que coacha nem sempre é sapo

E aquele que relincha nem sempre é cavalo

O que urra nem sempre é anta

Mas aquele que rosna é sempre bicho

Olho de butuca na mata embrenhada

Indaga a itriga e abre a matraca

Não abre brecha pra atravancar picuinha

Ataca o partido opositor espezinhando como draga

No alerta pra vigiar alavancar e avançar

Sentido aguçado e faro fino leitura dinâmica

Premonição em tempo real precaução na síntese da prática

Propensão à resiliência barganhando com juros e prestação

Os opressores tentam  denegrir sua imagem e desprezar seu nome

Através de passos ardilosos detestam tua audácia e atacam tua reputação

Na mata embrenhada na manha do gato na brecha do mato

O sarcasmo que ridiculariza a si mesmo! A tragicomédia do arlequim

A ironia de um sátiro na palavra de um sábio

A jocosidade de um conto na ação de um mestre

Ponto de propensão marcação à risca

Destravar e atrapar compilar e brilhar com apenas um movimento

Bramir e indagar ver notar e marcar sem desdenhar da possibilidade

Agir conter manter prever permitir prevenir e ultrapassar

Na veia o sangue corre quente em fervor da comina obstinação brilho

O propósito da obra o caso não é acaso marcas indeléveis fatos e feitos

Ogivas marcas vá em frente soturno e vigilante faça por ser

Pra fofoca indistinguível não passa trela pra marmelada

Pra dar mais liga na equação antecipe destrinche e esmiúce

Se te der a “deixa” me dá o “time”, se der o “time” me dá a deixa

Entrando na roda se desvencilhando pelo sinistro no molejo

Certa feição certa face certo apreço distinção única do zigue para o zague

Certa palavra certa imagem girando forte numa ginga de palavras

Atenção ao swing: o jogo de cintura aqui é feito nos olhos diretamente

Nada fica sem resposta e toda resposta dada representa uma nova pergunta

A mata é espessa sem trambique sem lorota sem balela na roda do mato

No entanto fica atento que o lelê ta na resguarda atento à emboscada

Sai na negativa e some na sombra, gatuno da prestidigitação na jogada

Eficiência e eficácia em ações bem estudadas e atos instintivos

Os opressores tentam  denegrir sua imagem e desprezar seu nome

Através de passos ardilosos detestam tua audácia e atacam tua reputação

Instinto puro em contrapartida da folha que cai é de bicho, no jambo e na jaboticaba

Urrando grunhindo e chiando no meio da mata você vê com os ouvidos e escuta com o instinto

Bisbilhoteiro se junta com futriqueiro e Invejoso vira traidor não é nessa que eu caio

Pra saber gingar têm que melhor observar, de olho no que é meu: a selva

Encrava na intriga indaga na liga migra pra ala e abre a porta que destrava

Abre na bilha brecha no breu agarra o que é teu e puxa um ás de copas vip

Implica intriga antiga briga no breu da brasa planta rasteira do véu da noite

Timbre acento e sotaque, ao vento abre ao fogo de um engate disfarce aplaude

Teu embuste no pé do embueiro traça na raça do giz e vai mas não vai

Azedo e ardido mordido e diletante da arte mais requintada zelo e compacto

Para ir e vir pegar e agregar nem sempre soletrar mas comer e se refastelar

Estrelas brilham, pé na areia das ondas que vão no ritmo da liberdade de ser você

Selar então uma nova carta, fazer então uma nova música de bravos ancestrais

Abre a trinca e brinca que a treta ta feita risca rabisca varre assoa uma finca

Onde o tesouro esta é de abelha que se faz um mel num ferrão se vê então

Onde o tesouro responde fala por si numa légua de um manga larga na montaria

Onde o tesouro está até lá vai você chegar basta para isto a si se enfrentar

Onde o tesouro é a resposta pra alguém que algum conluio ou intriga catalizar

Onde o tesouro é dos ditames o mais pródigo pra egoísmo e inveja desfazer

Onde o tesouro é na mata saber andar desvencilhar onde porque e quando pisar

 

 

 

 

89 Jamming

 

Coruja criada crivo da razão canela e coração ação convicta risada raspada

Observou cratera na mão reflexos da farça trama depressa praça drama e testa

Pretexto nos olhos desejos no olhar gostos de sonhos na risada com espada

Um flerte num dejavu o reflexo suor insight com seu brinco aí brincamos e brindamos

Pode ser que seja na certeza absoluta de saber reconhecer, talvez eu possa te dizer

Desejos plorifera a fera num sangue suado do pé que pisa na mente atravessa seu mangue

Barco balanço que onda que foi sem saber, pra saber. Mais um drinque mais um brinde

Presente de sorte escapar observar sorver algo que com você pode conter ou inverter

Trejeitos faceiros façanhas os trajetos vitrais de sonhos razão na intenção canela e devoção

Proste teu sonho idealize tua alma prove teu feito realize tua ideia faça com gosto

Gostar das cerejas faixas vermelhas de um dourado do fogo te mostra a si à você mesmo

Para um mundo de deixas surpresas e contos encantos o  que concatena a perfeição

Aplaudido em público resvalado pela obra emaranhado pela vontade caldo grosso e saboroso

Bora na bola que pródiga questão de um avante contigo no montante de gringo a fonte

Na panela requenta raiz semeia a erva semblante se não têm panelinha põe no caldeirão

Foje na sombra não escorre no molho mas molha a boca de desejo incorre no feitiço

Discorre não corre penetra no intrigante interno brilhante o vermelho por dentro vai

Vê então que os olhos da coruja são como música ou poesia antiga e recíproca

Priorize pratique antecipe predite o caminho é traçado na medida em que soam os arcanos

O jamming aqui é um tanto consorte da busca e da brecha, um tanto viciante um tanto intrigante

 

 

 

 

 

90 Domando o cavalo

 

Sem presepadas no trajeto ao encontro do cavalo

Onde instinto arraigado de um feroz descontrolado te encontra

Algo arcaico e tão rústico quanto a essência da tua alma

Percebe então uma essência uníssona de uma verdade tácita

A parte que te cabe olha nos olhos e veja com a alma

Sinta com o espírito e soe a música que vai de encontro ao cavalo

Seu instinto insiste em desgarrar, espírito de liberdade pois domar não é dominar

Os préstimos não são sinais triviais senão entraves que as almas entoam

Destrave uma velocidade impressa à um ritmo de nove para seis

Conjunto elementar de energias comportamento hostil algo já previsto

Entoe com a mente o que a percepção duplica na proporção de min para você

Cavalgue mais então na senda de um mundo distópico para um mundo livre

Sinta seu próprio poder cascos fortes destrave ainda mais e sinta perceba

Atingimos o ponto auge compreendemos os “motivos” assim muda-se a direção

O código é comreendido e o animal entra em sinergia

Neste momento o feitiço é lançado e o domador sente seu êxtase

Lembre-se então: o cavalo é a sua vida e o domador é você!

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